‘Professor dos Professores’
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Preparando a Fundação || Desaprendendo o Mundo || Transferência do Treinamento

Revertendo Efeito e Causa;
Chegando no Fundo da Crença do Tempo Linear
Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4

Orador (cont.): “Causa e efeito não são duas coisas separadas, mas uma só. Deus quer que aprendas o que sempre foi verdadeiro: que Ele te criou como parte Dele e isso ainda tem que ser verdadeiro porque idéias não deixam a sua fonte. Tal é a lei da criação: que cada idéia que a mente concebe apenas adiciona à sua abundância, nunca tira coisa alguma. Isso é tão verdadeiro em relação ao que é desejado de maneira vã, quanto ao que a vontade quer verdadeiramente, porque a mente pode desejar se enganar, mas não pode fazer de si própria o que não é. E acreditar que idéias são capazes de deixar a sua fonte é convidar ilusões a serem verdadeiras, sem sucesso. Pois nunca será possível ter sucesso na tentativa de enganar o Filho de Deus.”

Isso realmente tem a ver com ** dizendo ‘Eu sou o mundo, o mundo sou eu.’ É uma outra maneira de dizer que as idéias não deixam a sua fonte, que o mundo não deixou a mente do pensador. Nós estamos falando da mente errada. Mas, antes que a mente possa fazer um discernimento claro entre mente certa e mente errada, entre o perdão e ilusões, ela tem que ter esse discernimento claro e ver o falso como falso antes que o falso possa desaparecer. Então, para fazer declarações como ‘Eu sou o filho Santo de Deus’... pular a etapa de realmente olhar para a ordenação dos pensamentos ou meios sutis de julgamento ou de fazer com que o erro seja real e tentar pular isso para o ‘Eu sou o santo Filho de Deus’ é tipo como tentar ir de algum lugar do meio do alfabeto para o ‘z’. É por isso que é muito importante ter uma clareza tremenda daquilo que é falso. Apenas ver o falso como falso.

Participante 1: Então, o que acontece para fazer essa transferência de ver o falso como falso para ver que o falso não é nada, que isso absolutamente não existe?

Orador: São o mesmo, essas coisas que você acabou de dizer. O que eu estava referindo é a idéia no Curso que diz que você alcançará o mundo real e você quase não terá tempo de apreciá-lo. Dizer que Deus dá o passo final é ainda uma metáfora que Deus dá passos, mas o ‘passo’ que Ele dá é Criação. O primeiro e único ‘passo’ que Deus dá é a Criação do Seu Filho. E assim, o passo final em termos do Curso é realmente o primeiro passo...

Participante 1: É o retorno à consciência daquilo que sempre tem sido o caso.

Orador: E ** disse isso também, ‘O último passo é o primeiro passo’. Não é realmente um passo no sentido de uma seqüência bem no final.

“O milagre é possível quando causa e conseqüência são reunidas e não mantidas separadas. A cura dos efeitos sem a causa apenas pode deslocar os efeitos para outras formas. E isso não é liberação.”

Este é um outro modo de dizer ou falar sobre mágica. Todas as tentativas de mágica são só uma tentativa de deslocar os efeitos para outras formas ou curar os efeitos sem uma causa. Curar alguma coisa no mundo, alguma conseqüência, situação, algum evento que não parece certo, deslocando as formas. Ou, como Krishnamurti formula isso: ‘fazer malabarismo com os conteúdos da consciência,’ isso que é deslocar formas. Você tem todos esses conceitos e você vive tentando equilibrar os conceitos na esperança de que você chegará a uma combinação perfeita, então você está deludido porque você nunca terá uma transformação da mente enquanto você simplesmente desloca e equilibra os conceitos. Tem que haver um jeito inteiramente diferente de olhar para a consciência de um ponto de vista inteiramente diferente, um ponto a partir do milagre ou acima do campo de batalha, antes que o deslocamento seja um deslocamento significativo.

“O Filho de Deus jamais poderia contentar-se com menos do que a salvação plena e o escape da culpa. De outro modo, ele ainda exige ter que fazer algum sacrifício e assim nega que tudo é seu, ilimitado por qualquer tipo de perda.”

Aqui vem aquela palavra ‘sacrifício’ (aparecendo) aí, aquilo Jesus menciona no Manual de Professores. Ele diz que o sacrifício não tem significado no Céu, mas enquanto você acredita que você está no mundo ele define o sacrifício como a desistência daquilo que você quer. E enquanto a mente vê algum diminuto valor, até mesmo algum pequeno valor em qualquer coisa no mundo, então ela perceberá a desistência do mundo como um sacrifício. Até mesmo uma coisinha minúscula que ainda é mantida reforça o conceito do sacrifício. Se existe ainda um pouquinho de ordenação, se existe alguma coisa no curral que a mente não quer voluntariamente expor à luz, então ela nega que tudo é Dele.

“Um sacrifício diminuto é exatamente a mesma coisa, em seus efeitos, que toda a idéia de sacrifício. Se qualquer forma de perda é possível, então o Filho de Deus se faz incompleto e não é ele mesmo. E ele também não conhecerá a si mesmo nem reconhecerá a sua vontade. Ele renegou o seu Pai e a si mesmo e fez de ambos seus inimigos no ódio.”

Cada vez mais as diferentes maneiras de chegar ao tema do “Aprenderás esse Curso inteiramente ou não aprenderás em absoluto.” E para mim, onde esse tipo de idéia pode ser percebido como uma ameaça através das lentes do ego, eu acho que cada vez mais inevitavelmente é apenas um alívio começar a vir abraçar a idéia apesar de ser uma idéia que anteriormente parecia ser evitada. Evitar é parte do pensar que ‘é impossível transcender inteiramente o ego,’ parte daquele modo de pensar do ego. Nenhuma transigência dissipa esse tipo de noção. O início desse parágrafo é a idéia central daquilo que estamos falando. O milagre é possível quando a causa e a conseqüência são reunidas, não mantidas separadas. Isso na verdade só elimina precisamente o passado e o futuro porque o passado e o futuro são tentativas de manter a causa e a conseqüência separadas. A separação é onde o tempo linear entra.

Participante 1: Na margem eu tenho um lembrete para mim mesmo do porque eu quero ver todo esse negócio da causa e efeito claramente. Simplesmente se eu posso manter paz da mente em todas as aparentes situações no mundo, então é assim que a minha mente vê que o mundo não tem efeitos e então o que não tem efeitos não deve ter causa. E isso é o desfazer do ego. Às vezes eu me pego tentando entender os conceitos e tipo que esqueço porque isso faz qualquer diferença. Em primeiro lugar, por que eu estou tentando ter certeza disso, como isso realmente tem a ver com qualquer coisa.

Orador: Eu também penso que essa idéia: ‘O milagre é possível quando causa e conseqüência são reunidas e não mantidas separadas’ realmente tem a ver com essa seção que nós passamos antes no texto chamado ‘A Iminência da Salvação’ onde Jesus diz ‘Por que deveria o bem aparecer em forma de mal?’ Por que você está pensando que Deus colocaria a salvação no futuro? Quando a mente acredita que a iluminação ou salvação está no futuro, ela está separando causa e conseqüência. Está dizendo que houve um passado, um passado real. Há um futuro ainda por vir, é um futuro real. Está negando que há uma causa para a liberdade agora. Ela ainda está querendo manter a brecha e acreditar na realidade daquela brecha do tempo e projetar a solução ou a correção no futuro. Quando a mente faz isso ela não pode evitar senão de sentir que ela sofrerá medo desde agora até o momento em que a correção é aceita. Ela está simplesmente projetando o medo no tempo e está dizendo aquela velha coisa sobre o tempo curando todas as feridas. Bem, é um propósito novo para o tempo, agora mesmo, que cura todas as feridas. Não é o tempo por si só. O tempo linear nunca curou nada. O tempo linear é parte do problema, não a solução.

Participante 1: É um daqueles velhos ditados que é retrógrado, não é?

Orador: Embora ele poderia ser reinterpretado. Em vez de dizer que o tempo cura todas as feridas, você poderia dizer que o uso correto do tempo, o propósito do Espírito Santo para o tempo cura todas as feridas porque o propósito dele é fazer com que o tempo seja desnecessário. O propósito do ego para o tempo é o propósito dele para tudo... morte: para manter a crença que a separação de Deus é real, ela ocorreu, e isso será punido. Então, é interessante chegar nesta causa e conseqüência, a idéia da causa e efeito de todos os ângulos diferentes, até mesmo no sentido do tempo para ver que tudo aponta para: Agora é o ponto da liberação.
A próxima seção é o ‘Herói do sonho’, no capítulo 27.

“A série de aventuras do corpo, da hora do nascimento até à morte, é o tema de todos os sonhos que o mundo jamais teve. O “herói” desse sonho nunca vai mudar e nem o seu propósito. Embora o sonho propriamente dito tome muitas formas e pareça mostrar uma grande variedade de locais e de eventos em que seu “herói” se encontra, o sonho tem apenas um propósito, ensinado de muitas formas. Essa única lição é o que ele tenta ensinar uma e outra vez e ainda mais uma vez: que ele é causa e não efeito. E tu és o seu efeito e não podes ser a sua causa.”

Participante 1: Aí está.

Orador: Então, realmente quanto ele diz ‘essa única lição’ esse é o ego. O ego é uma lição na mente e o Espírito Santo é uma lição na mente e a mente que está tentando aprender duas lições está muito confusa. As lições não vão juntas. Elas são uma proposição de ou / ou. O que o ego está ensinando é que o mundo é a causa e não o efeito e que você é seu efeito e não pode ser a sua causa. E se a mente é identificada com o corpo ou o herói do sonho... nos olhos do mundo é claramente desse jeito... corpos nascem de outros corpos. Da perspectiva do ego você é claramente o efeito deste mundo. E se você quiser levar isso de volta apenas para os corpos e procriação, se você leva isso de volta em termos evolucionários para as antigas teorias da evolução (o organismo da única célula evoluindo para formas cada vez mais elevadas de vida e ainda de alguma maneira eles tentam dizer que tinha que haver as condições certas para essa fagulha de vida surgir do pó), ainda o que está por trás de todas essas teorias é que você teve o seu início... seja da procriação, relação sexual de um homem e uma mulher, ou se você leva isso de volta para a fagulha da vida, na forma. E até as tentativas de trazer Deus para esse começo, fazer o homem e a mulher do barro ou pó e assim por diante, reforça a noção do corpo como sendo um efeito do mundo. Até mesmo se você olhar isso desse jeito isso ainda é trazer Deus para dentro da forma, dizendo que Deus tinha qualquer coisa a ver com o fazer da forma. Toda essa analogia do sonho traz de volta para o sonho como sendo a causa e você sendo o efeito do sonho.

“Assim tu não és o sonhador, mas o sonho. E assim vagas em vão, entras e sais de lugares e acontecimentos que ele inventa. Que isso é tudo o que ó corpo faz é verdade, pois ele não é senão uma figura em um sonho. Mas quem reage às figuras em um sonho a não ser que as veja como reais?”

Isso é uma reviravolta tão grande do pensamento ‘Eu sou apenas esta minúscula pessoa neste vasto mundo’ e existem todas essas pessoas e traços da personalidade e características e pessoas de diferentes raças e culturas, línguas, diferenças genéticas. E agora que entramos na era da Guerra nas Estrelas e os filmes retratando todas essas criaturas alienígenas, UFOs, etc... tudo parte de um único sonho que é a projeção da minha própria mente. Falando sobre virar o jogo. Isso é uma reviravolta tão vasta.

“No instante em que ele as vê como são, elas não mais têm efeito sobre ele, porque compreende que foi ele que lhes deu os seus efeitos pelo fato de as causar e fazer com que parecessem reais.” Tem esse ‘deu’ de novo. Não dá, mas ‘deu’. O tempo passado é sempre importante nessas sentenças porque isso constantemente coloca o ego e o mundo todo que pareceu surgir no tempo passado. “Quanto estás disposto a escapar dos efeitos de todos os sonhos que o mundo jamais teve? É teu desejo que nenhum sonho apareça como a causa daquilo que fazes?” Aí nós estamos com ‘medo das conseqüências’ das quais falamos muito. Se você deixar partir todo o medo das conseqüências, então você verdadeiramente pode estar no milagre e o que quer que você pareça fazer ou dizer é literalmente automático, vindo da mentalidade certa. “Então, vamos simplesmente olhar para o início do sonho, pois a parte que tu vês não é senão a segunda parte, cuja causa está na primeira.” Isso está preparando o estágio para quando ele entra no Ser versus auto-conceito e ele fala sobre a parte que você jogou fora. Quando falamos sobre as duas camadas do auto-conceito, a primeira parte é a crença que eu me separei de Deus. Essa é a crença na mente, e a segunda parte é o sonhar com o mundo que foi feito como um encobrimento para nunca ter que olhar para baixo, embaixo dele. O sonhar do mundo é a parte que foi jogada fora. A mente esquece que ela é uma mente e então, acredita que ela está na tela. Essa é a segunda parte que ele está falando.

“Ninguém que esteja dormindo e sonhando no mundo se lembra de seu ataque a si mesmo.” Essa é a crença na separação. “Ninguém acredita que houve, de fato, um tempo em que ele nada conhecia de um corpo e nunca poderia ter concebido esse mundo como algo real. Ele imediatamente teria visto que essas idéias são uma única ilusão, ridículas demais para qualquer coisa exceto o riso que as despede. Como elas parecem sérias agora! E ninguém é capaz de se lembrar do tempo em que teriam sido recebidas com riso e descrença. Podemos nos lembrar disso, se apenas olharmos diretamente para o que a causou. Então veremos justificativas para o riso, e não uma causa para o medo.”

Então o ego sempre diz, ‘preste muita atenção na tela e não vá para dentro olhar para a sua mente.’ Ou se nós usarmos a analogia do Mágico de Oz, quando eles finalmente chegam ao Oz, quando eles finalmente chegam na sala onde eles vêem essa coisa gigante na tela, uma cara enorme com uma voz alta, e Toto puxa a cortina na sala de projeção, o que o mágico diz? “Não preste atenção no homem atrás da cortina!” (risadas) Não preste atenção no pensamento da mente, na verdadeira causa, continue focado na figura pavorosa que você vê na tela assim você irá tremer diante dela. Esse filme tem tantas boas metáforas nela. Não é pra menos que as pessoas adoram ele, mesmo que elas não saibam o porquê. Porque é uma metáfora para a liberação delas. Não há nenhum lugar como o Lar. Você sempre tem o poder de voltar para Casa.

“Vamos devolver ao sonhador o sonho que ele deu aos outros, percebendo-o como algo separado de si mesmo e feito para ele. Na eternidade, onde tudo é um, introduziu-se uma idéia diminuta e louca, da qual o Filho de Deus não se lembrou de rir. Em seu esquecimento, esse pensamento passou a ser uma idéia séria, capaz de ser realizada e de ter efeitos reais.” Essa parte é ‘em seu esquecimento...’, é aí que a realização e os efeitos reais parecem ocorrer. “Juntos, nós podemos rir dessas duas coisas, fazendo-as desaparecer e podemos compreender que o tempo não pode invadir a eternidade. É uma piada pensar que o tempo pode vir a lograr a eternidade, que significa que o tempo não existe. Uma intemporalidade na qual o tempo se torna real, uma parte de Deus que pode atacar a si mesma, um irmão separado como inimigo, uma mente dentro de um corpo, são todas formas circulares cujo fim tem início no seu começo, terminando na sua causa. O mundo que vês retrata exatamente o que pensaste que fizeste.”

É isso que estávamos falando ontem no workshop sobre a mente acreditando que ela é culpada, acreditando que ela se separou de Deus, e agora o mundo demonstra a ela que a separação é real, que a culpa é real. “Exceto que agora pensas que o que fizeste, está sendo feito a ti. A culpa pelo que pensaste está sendo colocada fora de ti e sobre um mundo culpado que sonha os teus sonhos e pensa os teus pensamentos em teu lugar.”

Nós estamos chegando nesta vida diária e o viver do dia a dia versus essa idéia abstrata do ‘sonhador do sonho’ e o propósito, e ver cada vez mais que não podemos nos agarrar a ambos ao mesmo tempo. Que isso realmente é uma coisa do tipo ou isso / ou aquilo. O medo é que ainda existe uma crença que desistir do meu conceito de vida diária, do dia a dia de alguma maneira vai ser um tipo de perda. O status quo é familiar, confortável, nem sempre o melhor, mas ainda não é assim tão ruim.

Participante 1: Pelo menos eu tenho uma maçaneta nela.

Orador: Uma aparente maçaneta de uma maneira que as coisas são construídas e a maneira que as coisas funcionam.

Participante 2: E mesmo assim não parece ser possível desistir disso. Mesmo se eu dissesse que eu quero, isso parece impossível. Eu consigo até imaginar chegar num lugar onde eu digo que estou pronto para desistir dele... isso eu consigo imaginar, mas o que eu não consigo imaginar é como isso seria, como isso pareceria. E enquanto eu tento imaginar como vai parecer...

Participante 1: Não tem um ponto de referência.

Orador: Isso precisa fluir muito livremente. Isso vem para mim... Eu acho que já me perguntaram mais de uma vez, ‘Onde você mora?’ Isso aparece muito e é interessante dizer... Eu moro na minha mente e isso é desapego real. Não há uma caixa para isso. Não se encaixa em nenhuma daquelas caixas. Então a questão seguinte geralmente é, ‘Onde você recebe o seu email?’ ou alguma coisa parecida. Vamos pregar isso em algum tipo de caixa. É muito diferente de estar numa posição de não conceber a si mesmo como vivendo num lugar em particular.

Participante 1: Até vir a pensar em si mesmo como ‘mente’ teria que significar que está havendo alguma transferência de toda a idéia da causa e efeito. Parece que é assim que a mente viria a reconhecer a si mesma como o que ela é reconhecendo que causa e efeito não é o que antes ela pensava que era.

Orador: Sim. Quando esses pensamentos vêm para a minha mente ‘Isso é interessante agora, mas, e na semana que vem?’ ou ‘E no mês que vem?’ ou ano que vem, como serão as coisas até lá... isso tudo é apenas mais pensamentos futuros no tempo linear e não pode ser de ambos os jeitos. Não pode ser aquele instante de cortar o cuidado para longe por agarrar-se ao passado e futuro. Só leva um instante. Eu acho que a lição no livro de exercícios, ‘Eu coloco o meu futuro nas mãos de Deus’. Quando você faz isso, você entrega a sua mente. Quando você está entregando o futuro, você está entregando passado também. Craig estava me perguntando ao telefone o que ia fazer em dezembro. Eu disse, ‘Eu não sei, eu não tenho planos’. Ele estava interessado em toda essa idéia de intensivos e workshops e reuniões e foi a mesma coisa que falamos anteriormente hoje, de ter uma sensação de conforto muito forte, uma indicação forte de fazer algo. Até mesmo agendar alguma coisa com um mês ou um mês e meio de antecedência, volta para Jesus arrumando tempo e espaço para o milagre ser apresentado. Você poderia chegar nisso de outras maneiras descritivas como: pessoas que têm agendas cheias e elas precisam ser avisadas com antecedência de um mês ou mais só para encaixar isso. Ou você sente uma orientação forte ou direção para fazer algo. É como diz na lição 135, ‘Não é planejando por conta própria, mas ouvindo a sabedoria que não é a sua própria. Se há planos a serem feitos, serão ditos para você.’ Até mesmo quando essas coisas parecem tomar formato e forma e as pessoas começam a entrar, ainda é varrido para a mesma categoria que ‘o roteiro está escrito.’ Não é como se essas reuniões e seminários fossem à parte de qualquer outra coisa que parece acontecer no mundo da forma. Não há separação em ‘Eu tenho algum tempo livre aqui e alguma trabalho a fazer aqui.’ Ou até a nossa metáfora do ir e vir é ainda uma metáfora porque toda a questão é ter a mesmice. Só é necessário uma decisão, um instante bem agora para fazer isso. Não é como tem que ser projetado para fora, mas é apenas uma decisão presente, uma intenção presente.

Participante 1: Essa é a única coisa que pode fazer com que tudo seja o mesmo.

Orador: Mas vamos voltar para a praticidade. Se você tiver pensamentos vindo para a sua mente... aqueles pensamentos de ‘Vou passar alguns dias em algum outro lugar’, como você disse, que quando você tem diferentes distrações ou diferentes idéias, o que faz com que isso seja prático é apenas olhar para essas coisas conforme elas surgem. Sejam pensamentos de ódio especial que você falou há alguns dias atrás ou pensamentos de ‘Como isso vai funcionar com a família e as crianças’ ou rotinas diárias da vida na Traverse City ou seja lá o que for. É começar com isso, com quais são as minhas preocupações. Como quando estávamos viajando para Jackson nós tocamos naquela idéia sobre ainda querer que Tom entenda. Essa é uma aplicação prática disso, não começar com a coisa abstrata do ‘o sonhador do sonho’, mas começar com ‘Esta é a minha preocupação, este é o meu pensamento’.

“O segredo da salvação é apenas esse: tu estás fazendo isso a ti mesmo. Seja qual for a forma do ataque, isso ainda é verdadeiro. Seja quem for que se coloque no papel do inimigo e do agressor, isso ainda é a verdade. Seja o que for que pareça ser a causa de qualquer dor ou sofrimento que sintas, isso ainda é verdadeiro. Pois não reagirias de forma alguma a figuras de um sonho que soubesses que estavas sonhando. Que elas sejam tão odientas e más quanto puderem, não poderiam ter nenhum efeito sobre ti, a não ser que tenhas fracassado em reconhecer que esse é o teu sonho.”

É tudo que você precisa. É isso. Esse é o resumo.

“Essa única lição aprendida te libertará do sofrimento, qualquer que seja a forma que ele tome. O Espírito Santo repetirá essa única lição abrangente de libertação até que ela tenha sido aprendida, independentemente da forma do sofrimento que te traz dor. Seja qual for o ferimento que tragas a Ele, Ele fará uma resposta com essa verdade muito simples. Pois essa única resposta elimina a causa de qualquer forma de pesar e dor. A forma não afeta em nada a Sua resposta, pois Ele quer te ensinar apenas a causa única de todas as formas, não importa quais sejam. E compreenderás que os milagres refletem a simples declaração: “Eu mesmo fiz isso e é isso que quero desfazer.” Traze, então, todas as formas de sofrimento a Ele Que sabe que cada uma é como todo o resto. Ele não vê diferenças onde não existe nenhuma e te ensinará como cada uma é causada. Nenhuma tem uma causa diferente de todo o resto e todas são facilmente desfeitas por apenas uma lição verdadeiramente aprendida.”

Ele está falando literalmente da Expiação. “A salvação é um segredo que só escondeste de ti mesmo. O universo proclama que é assim. No entanto, não prestas a menor atenção às testemunhas do universo. Pois dão testemunho de algo que não queres saber. Elas parecem manter isso em segredo, escondido de ti. Entretanto, só precisas aprender que apenas escolheste não escutar, não ver.”

Então, se voltarmos para: ‘no entanto, não prestas a menor atenção às testemunhas do universo,’ isso é literalmente tudo que acontece. Às vezes digo que todo irmão que você encontra é uma testemunha, mas eu não estou falando em termos de forma porque isso não tem nada a ver com corpos. De fato, enquanto você vê corpos, você não consegue ver a lição porque você não consegue ver a face de Cristo e vê corpos. Provavelmente você poderia estender isso não só para as pessoas, mas também para as situações... em outras palavras no Livro de Exercícios onde Jesus diz ‘Você poderia receber a visão de uma mesa’ significa que o perdão não envolve necessariamente pessoas, mas o que ele realmente envolve é retirar todo o significado ou interpretação do passado completamente e deixar o Verbo de Deus ser escrito sobre ele. Ou deixar o propósito do ego ser trocado pelo propósito do Espírito Santo. E isso é a testemunha que proclama que isso é assim, que você é o ‘sonhador do sonho’ e que você só está fazendo isso para você mesmo.

“Como perceberás o mundo de forma diferente quando isso for reconhecido! Quando perdoares o mundo pela tua culpa, estarás livre dela. A inocência do mundo não requer a tua culpa e nem a tua inculpabilidade se baseia nos seus pecados. Isso é o óbvio: um segredo que não está oculto para ninguém, só para ti mesmo. E é isso que tem te mantido separado do mundo e mantido o teu irmão separado de ti.”

Aí está a divisão do sujeito / objeto.

“Agora, precisas apenas aprender que ambos são inocentes ou culpados. A única coisa impossível é que um não seja como o outro, que as duas afirmações sejam verdadeiras. Esse é o único segredo ainda a ser aprendido. E o fato de estares curado não será nenhum segredo.” É óbvio que neste sentido, qualquer magoa, até mesmo uma minúscula mágoa é um ataque ao plano de Deus para salvação. Porque uma mágoa está dizendo que ainda há alguém, alguma pessoa, alguma coisa que é diferente do que deveria ser, isso é errado, isso é culpa à parte de mim mesmo. Essa declaração de cura está dizendo que isso é impossível.

Participante 1: Não existe nenhum ‘à parte de mim mesmo’.

Orador: Certo. Não existe nenhum ‘à parte de mim mesmo’, e para a mente que acredita que existem ‘outros’ acredita que um poderia ser culpado e outro poderia ser inocente. A crença que você é culpado e eu sou inocente ou a crença que eu sou culpado e você é inocente. Não importa de que lado você está. O segredo que ainda está para ser aprendido é que eles devem ser o mesmo. Eu me lembro que neste inverno que passou ou talvez no ano passado, quando estávamos ensinando uma turma e um companheiro estava falando sobre estar doente, eu me lembro de ter dito, ‘Você não pode estar doente à parte de mim. Ou estamos ambos doentes ou estamos ambos curados.’ Ele estava dizendo que estava se sentindo mal e se sentindo muito desconfortável estar no meio de pessoas tão saudáveis.

Participante 1: Aquela comparação.

Orador: Sentindo-se muito ‘menos’. Sentindo muito o ‘Eu não pertenço a este lugar. Eu não pertenço nesta turma com você porque eu estou muito doente’...

Participante 1: … ‘e ainda acredito na doença e você não’

Orador: Não pode ser um e o outro não. Ou estamos ambos curados ou ambos estamos doentes. E eu digo que estamos ambos curados.

Participante 1: A coisa toda aí, alguns parágrafos antes, onde você estava lendo sobre ‘o segredo da salvação e você está fazendo isso a você mesmo’... é realmente o que nós estávamos falando na hora do almoço em termos do assunto do abuso infantil. E como você pode dizer que a mente traz testemunhas para ela mesma quando se fala sobre uma um bebê de dois meses de idade?

Orador: Nesse caso, isso é fazer uma exceção dizendo que com adultos é diferente. Uma jovem criança de tantos meses de idade... isso é uma exceção. Onde a culpa é vista como justificada porque realmente houve um abuso, totalmente à parte da vontade daquela criança. E tudo isso é parte daquela confusão de nível em pensar que a mente está de alguma maneira relacionada ao corpo. Bill Thetford passou pela mesma coisa quando ele teve dificuldades indo à conferencias ou convenções de reabilitação onde aparentemente haviam aqueles corpos quebrados para todos os lados... deficientes, deficiências, crianças e esses tipos de coisas. E foi um reforçador ou um lembrete na crença da fragilidade da vida.

Participante 1: E é por isso que ele estava tendo tantos problemas com isso, é isso que você está dizendo?

Orador: Sim, e basicamente o que Jesus diz é que você tem algum nível de confusão passando por aí. Confusão de nível é fazer uma exceção. Você está confundindo o cérebro com a mente. A mente é invulnerável. Até mesmo se você chega no nível do ‘Eu só posso ser ferido pelos meus pensamentos’... isso é apenas uma descrição da mente equivocada. Mas a liberação é que eu não tenho que escolher a mente equivocada. Eu não sou a mente equivocada. A minha mente contém só o que eu penso com Deus. Esta é uma descrição da mente certa. É isso que temos que abraçar. Essa é a correção.

Participante 1: Somente os meus pensamentos amorosos são verdadeiros.

Orador: “As novas idéias antigas que trazem consigo serão as felizes conseqüências de uma Causa tão antiga que em muito excede o alcance da memória que a tua percepção pode ver.”

Por baixo do alcance da memória que a percepção da mente equivocada vê está a memória do Presente, a memória de Deus. Está além do alcance que a mente equivocada vê. Então, como eu disse antes, o presente não está entre o passado e o futuro, o presente está antes que o tempo existisse. Lembra que falamos disso. Está além daquilo que a mente equivocada pode ser. A mente equivocada não pode perceber o presente. Agora está literalmente lá para trás, além do tempo. E quando ele diz ‘novas idéias antigas’ é óbvios que aí ele está falando dos pensamentos reais que estão enterrados por baixo dos pensamentos de ataque. E por muitas vezes alguém dirá, ‘Dê me um exemplo de pensamento real’ e um bom exemplo que você pode lançar é ‘Eu sou como Deus me criou’. Não há nenhum indício de percepção nessa idéia. Isso está além do que a mente equivocada pode ver. Esse é um novo pensamento antigo que está enterrado na mente, mas que literalmente traz com ele a salvação porque não é perceptual. Esse é o único exemplo? Não. ‘Eu sou espírito’ - tem um outro… Se você realmente olhar no Livro de Exercícios você pode encontrá-los lá. Lá estão os pensamentos reais: ‘Minha mente só contém o que eu penso com Deus’. Nenhum indício de percepção. Existem muito outros que diz, ‘Eu sou determinado a ver’ ou ‘O que eu vejo é uma forma de vingança,’ e alguns deles estão claramente apontando para o modo que a mente parece ver agora. Esses são conceitos elevados de limpeza, aprontando a mente para os pensamentos reais que são totalmente abstratos.

Agora nós o vemos deslocar da causa inferior ‘c’ para o ‘C’ maiúsculo. “Essa é a Causa que o Espírito Santo tem lembrado para ti quando queres esquecer.” Então agora Deus está entrando na discussão. Ele deslocou para o ‘C’ maiúsculo.

“Ela não é uma causa passada porque Ele não permite que Ela deixe de ser lembrada. Ela nunca mudou, porque nunca houve um tempo em que Ele não A mantivesse a salvo em tua mente. Suas conseqüências, de fato, parecerão novas porque pensavas que não te lembravas da Causa. No entanto, Ela nunca deixou de estar na tua mente, pois não foi a Vontade do teu Pai que Ele não fosse lembrado pelo Seu Filho.”

Essa Causa é literalmente a memória de Deus. ‘Não foi a Vontade do teu Pai que Ele não fosse lembrado pelo Seu Filho... aquilo que tu lembras, nunca foi...’ Então aqui Ele está falando do ser do ego. Isso pode ser confuso às vezes para as pessoas quando elas estão lendo o Curso porque elas dirão, ‘Bem, quando ele diz que você é o santo Filho do próprio Deus, ele parece estar falando de um ‘você’ diferente daquele quando ele diz o que ‘você’ se lembra nunca foi.’

“Veio da ausência de causalidade, que confundiste com uma causa. Quando aprendes que te lembraste de conseqüências que não tiveram causa e jamais poderiam ter efeitos não podes deixar de rir.” (Risadas) Aí nós temos isso! A risada...

“O milagre te recorda uma Causa para sempre presente, perfeitamente intocada pelo tempo e por qualquer interferência. Essa causa jamais foi alterada em relação ao que Ela é. E tu és o Seu efeito, tão imutável e perfeito quanto Ela própria.”

Então estamos de volta a idéia da Causa real e a única Causa é Deus. Agora ele está deslocando para ‘e tu és seu Efeito’ ele não está falando com o ego agora. Ele está falando com o Filho de Deus.

Participante 1: O verdadeiro Tu.

Orador: “A memória dessa Causa não está no passado nem aguarda o futuro. Não é revelada nos milagres. Elas apenas te lembram que Ela não se foi. Quando tu A perdoares pelos teus pecados, Ela não será mais negada.”

‘Ela não revela os milagres’... essa é a diferença entre revelação e milagres. Milagres colapsam o tempo que são os meios, ou que preparam a mente para a revelação. Mas, milagres não revelam ou são reveladores no sentido de que ainda são perceptual. E a revelação literalmente não é uma experiência perceptual. A mente, quando está numa experiência reveladora, não tem absolutamente a lembrança do medo.

À medida que nos unimos na nossa intenção, somos capazes de transferir o treinamento para todos os aspectos aparentemente separados da vida da mente equivocada incluindo papanicolau e comida e sexo e assim por diante. Na realidade não há nenhuma separação entre todas essas coisas porque existe aquele ‘cordão de ouro’ ou o colar que os amarra todos juntos. Mas para aquela mente que acredita que são aspectos separados que têm uma verdadeira experiência e existência neles e deles mesmos, então milagres são necessários só para lembrá-la que o falso é falso.

“Tu, que tens buscado fazer um julgamento a respeito do teu próprio Criador, não és capaz de compreender que não foi Ele quem julgou o Seu Filho. Queres negar-Lhe os Seus Efeitos, no entanto, Eles nunca foram negados. Nunca houve um tempo no qual Seu Filho pudesse ser condenado pelo que carece de causa e é contra a Sua Vontade.”

Às vezes durante o intensivo ou outras vezes as pessoas levantarão esta questão: ‘Como eu pude ter feito isso?’ ou ‘Por que eu continuo fazendo isso?’, e isso é só o ego falando. É o ego que tem a questão. É o ego que está frustrado e parece espancar a si mesmo. Todas essas declarações estão apenas vindo da mente errada. São declarações de uma mente que está equivocada que ainda está tentando negar o fato do Cristo. ‘Queres negar-Lhe os Seus Efeitos, no entanto, Eles nunca foram negados.’ Se você realmente seguir onde isso está indo, este mundo é uma alucinação e para realmente vê-lo como uma alucinação você deve simultaneamente, espontaneamente brotar na Realidade. Apenas ver o mundo dessa maneira (uma alucinação) e não pensar nele como uma boa metáfora, mas apenas vê-lo pelo que ele foi. Certamente com esse tipo de experiência a tentativa de fazer qualquer coisa por conta própria desaparece, porque isso parece impossível. É visto que eu não posso agir por conta própria, pois aquele não era eu.

“O que a tua lembrança quer testemunhar é apenas o medo de Deus.” Aqui Ele está falando mais com a mente equivocada. “Ele não fez o que temes. Nem tu o fizeste. E assim a tua inocência não foi perdida. Não necessitas de cura para ser curado.” Isso parece voar contra algumas das outras coisas, que a sua função é a cura e assim por diante, mas agora começamos a trabalhar com os detalhes práticos com seriedade.

Participante 1: Mas, nada jamais ocorreu que necessita da cura é a essência disso.

Orador: Certo, é a base exata para a metafísica. ‘O que pensas que fez não ocorreu. Não necessitas de cura para ser curado.”

Participante 2: O impossível nunca aconteceu. (Pausa) Alguma outra coisa veio na minha mente quando você estava falando isso e isso nunca tinha me ocorrido antes embora eu tenha ouvido a metáfora disso ser uma alucinação e li isso muitas vezes. Mas, assim que você falou disso desta vez, eu tive essa lembrança de uma época quando eu estava na faculdade e tinha tomado alguma droga e fiquei alucinado e isso foi tão assustador para mim. Eu odiei aquilo e pensei, ‘Isso é o medo’ porque as coisas não foram como eu tinha esperado. Paredes se moveram e distancias foram alteradas. Alguma coisa que parecia muito perto, então quando eu andei em direção a ela, estava muito longe. Então a minha percepção que eu sabia ou pensava que sabia foi toda distorcida.

Participante 1: Não confiável.

Participante 2: Sim, não confiável. E então isso foi muito, muito assustador para mim. E consigo me lembrar de ter essa sensação de estar fora do controle e eu só queria ir para algum lugar e me esconder até que isso passasse. Eu pensei, ‘Eu não posso estar com as pessoas. Eu não posso fazer nada. Eu não estou funcionando.’ Todas essas sensações voltaram para mim agora e Uau! Todas essas sensações ainda estão aí nesta alucinação. Isso só faz sentido que você se sentirá desse jeito quando a sua percepção está distorcida, quando nada é como parece, quando nada é como deveria ser. Eu nem mesmo sei quem eu sou ou como eu me relaciono com qualquer coisa disso. Apenas o tremendo medo que está aí.

Orador: Tipo uma extrema versão ampliada dos transtornos... dos aparentemente menores das coisas que não estão seguindo na direção que você pensa que deveriam ir ou... você compartilhou aquela experiência quando você foi para a conferencia da Virginia e você se sentiu deslocado... o medo, o isolamento que surgiu lá. E realmente o que estamos vendo é que nós temos que ver que esse é o jeito que o mundo foi construído.

Participante 2: Sim, e eu pensei ‘Estou vivendo com esse medo todos os dias!’. Mas, eu estou tão acostumado com ele, que eu não estou mais ciente dele. Eu só o coloquei de lado e o encobri tão bem que eu nem mesmo sei que ele está aí. Mas apenas esse tremendo medo... quando eu estou realmente levando a alucinação a sério e entrando na dela e entrando naquilo que a minha percepção me diz...

Participante 1: ... apesar de todos eles estarem ausentes.

Participante 2: Sim, embora eles sejam sem significado. Mas, eu estou encarando-os como se fossem verdadeiros.

Orador: E o que está por baixo do medo da alucinação é... claro a mente que escolheu a alucinação encobrisse o que ela realmente tem medo. E como nós entramos nisso durante as várias últimas semanas e você tem algum tipo de medo, você começa a projetar o medo no futuro ou se sente atraído a esta intenção com outras coisas, até mesmo pensar em talvez ir para Waynesville ou para a família ou esses tipos de coisas. Ou você entrou na defesa do ‘Ei, eu não estou tão mal, eu não deveria reclamar’ ou ‘Eu deveria ser capaz de ter isso dos dois modos. Eu deveria ser capaz de me agarrar a isso e aquilo’, quando há um medo real de entrar naquela Luz de apenas deixar tudo o mais partir menos aquele Propósito. Isso que é o medo real. O medo da alucinação é apenas uma cobertura para o grande medo: o medo do Amor.

Participante 2: Então isso me dá algum senso de que tipo de medo nós estamos falando. É tremendo. É um terror e isso o descreve como um terror, mas eu acho que nunca tinha sentido isso ou imaginado o que isso realmente é, uau, quando eu tenho um vislumbre disso...

Orador: E a perda do controle. Você disse que você também sentiu uma tremenda perda de controle.

Participante 2: Sim, eu me lembro dessa sensação muito forte. Eu me lembro de pensar eu não quero nunca mais sentir isso de novo porque eu não gosto dessa sensação. Eu conhecia pessoas que achavam realmente legal ficar alucinado, mas eu não. Isso não é para mim.

Participante 1: Esse é o jeito que eu me senti quando fiquei bêbado. É tipo, por que as pessoas fazem isso? Eu nunca mais quero fazer isso de novo. Porque eu me senti muito fora do controle e não gostei da mudança na minha percepção.
Orador: Isso é só um lado disso. Em outras palavras, seus auto-conceitos foram focados na direção da ordem e controle. O outro lado disso seria, ‘a minha vida está tão sob controle’. Nós vimos isso em alguma coisa que estávamos assistindo, assistindo perder o controle e relaxar. Nesse sentido a interpretação dos alucinógenos e maconha e assim por diante é como, ‘Sim, estou deixando pra lá as minhas inibições e controle.’ Então, isso realmente é apenas os dois lados da defesa. E a questão do controle é o problema de autoridade, acreditando que eu sou quem eu penso que sou neste mundo. Que eu construí um mundo e um ser, e eu sou eu. Eu sou único... Eu tenho meus gostos e aversões. Eu tenho minhas opiniões e conclusões e é desse jeito que eu quero que fique. Eu quero paz, mas eu quero que seja um ‘eu’ pacífico, uma ‘pessoa’ pacífica. Eu quero reter alguma coisa...

Participante 1: A paz nesses termos.

Orador: Certo, nos meus termos. E isso é impossível. Essa é alegria que eu vejo naquilo que estamos fazendo porque é começar a ver a absoluta absurdez e impossibilidade do controle. Tentar trazer a verdade à ilusão, ou tentar misturar Espírito com tempo e espaço e matéria, como se eles pudessem ser reconciliados ou misturados. Óleo e água, mexendo, mexendo e mexendo - eles não se misturam. Se isso parece extremo, isso é extremo. Todas as tentativas para reconciliar as duas são fúteis.

“Em quietude, vê no milagre uma lição em permitir que a Causa tenha os Seus Efeitos Próprios e em não fazer qualquer coisa que possa interferir.”
Um outro grande apoio para essa idéia é toda a seção no Curso chamado ‘Eu não preciso fazer nada.’ Está explicado bem aí nesta sentença. Essa é a metafísica por trás do ‘Eu não preciso fazer nada.’

“ele não acredita que é o efeito do Amor e ele mesmo tem que ser a própria causa devido ao que ele é. A causa da cura é a única Causa de todas as coisas. Ela tem apenas um efeito. E nesse reconhecimento não se dá quaisquer efeitos ao que carece de causa e nenhum efeito é visto. Uma mente dentro de um corpo e um mundo de outros corpos, cada um com mentes separadas, são as tuas “criações”, sendo tu a “outra” mente, que cria com efeitos que não são como tu és. E enquanto “pai” dessas criações, tens que ser como elas.”

Então se você acredita em personalidade, numa mente separada... então toda a ilusão de ‘outras mentes’ e ‘outros corpos’ que parecem ser causativos e todo o mundo do reverso da causa e efeito parece ser posto em movimento apenas pela crença de que você pode criar a si mesmo. Todas as tentativas de negar que eu sou o Filho de Deus e eu sou criado pelo meu Pai... há tantas racionalizações diferentes como ‘Eu sou apenas humano’ ou ‘Nós somos apenas humanos’. Isso parece ser uma coisa tranqüilizadora que eu estou sempre ouvindo. Mas, quando você realmente olhar para o conteúdo por baixo disso, isso é um pensamento de ataque. Não há nada de tranqüilizador sobre ser quem você não é.

Participante 1: Também não há nada de realístico sobre ser quem você não é.

Orador: Isso é uma outra coisa que aparece muito. ‘Vamos ser realístico. Vamos ser práticos’. Mas práticos nesses termos, você volta ao ‘Neste instante estou negando a verdade ou escolho aceitá-la?’. Esses esquemas do ego são desvelados. “Não aconteceu absolutamente nada, exceto o fato de que tu te puseste a dormir e tiveste um sonho no qual eras um estranho para ti mesmo e apenas uma parte do sonho de alguma outra pessoa.”

Se nós pegarmos essa sentença e levarmos à especificidade, voltamos para o ‘Eu tento fazer o Curso da melhor maneira que eu posso, mas eu só posso ir até tal ponto no ambiente do trabalho. Eu só posso ir até tal ponto com a família. Eu só posso ir até tal ponto porque afinal de contas, eu sou um cidadão dos Estados Unidos. Eu só posso ir até tal ponto porque sou deficiente porque eu só tenho esse tanto de inteligência ou só tenho essa formação.’ Ou seja lá o que for a racionalização, por baixo dela está ‘Eu estou sonhando um sonho e eu sou um estranho para mim mesmo, mas eu sou parte do sonho de um outro alguém.’ O agradar pessoas entra nisso ou a preocupação sobre o que alguém vai pensar ou como alguém reagirá é basicamente apenas uma reafirmação desta sentença, de que eu sou parte do sonho de um outro alguém. O ego está dizendo: ‘Eu não posso simplesmente despertar. Existem outras pessoas com que lidar.’ O medo de decepcionar alguém está amarrado com o acreditar que eu sou parte do sonho de alguma outra pessoa. Eu me lembro quando você veio inicialmente para Cincinnati, naquele tempo, isso veio como uma raio para você que você tinha que se mudar e se afastar do emprego. E havia aquele antigo padrão de pensamento / crença de acreditar que você era parte de um sistema ou uma rede. ‘As pessoas estão contando comigo’. Uma vez que você tem a clareza de que você é o sonhador do sonho, você não tem que fazer transigências constantemente com as figuras do sonho porque você não está no sonho deles. Lembre-se ‘Este é o meu sonho.’ “O milagre não te desperta, mas te mostra quem é o sonhador. Ele te ensina que existe uma escolha de sonhos enquanto ainda estás adormecido, dependendo do propósito do teu sonhar. Desejas sonhos de cura ou sonhos de morte? O sonho é como uma memória na qual se retrata aquilo que quiseste que te fosse mostrado. Dentro de um armazém vazio, com portas abertas, estão guardados todos os teus retalhos de memórias e sonhos. Entretanto, se tu és aquele que sonha, pelo menos isso percebes: que causaste o sonho e podes igualmente aceitar um outro sonho. Mas para que se dê essa mudança no conteúdo do sonho, é preciso que se reconheça que foste tu aquele que sonhou o sonho do qual não gostas.”

Então, estamos de volta a reversão da causa e efeito, trazendo a causa de volta a mente. E até mesmo aí, mais uma vez, o tempo é tão importante: ‘... é preciso que se reconheça que foste tu aquele que sonhou o sonho.’ Isso definitivamente é um passo... isso não está alcançando o nível do ‘Minha mente contém só o que eu penso com Deus’, mas é o passo que vem antes dessa idéia. Eu tenho que aceitar a responsabilidade do sonho, mas eu também não preciso me sentir culpado por ele porque ele é passado. E eu estou no presente. Existe uma causa presente que eu posso dar ao sonho. Quando eu digo causa presente não estamos falando da Causa com ‘C’ maiúsculo Que dissipa inteiramente o sonho, mas o propósito (causa) do Espírito Santo é um reflexo do presente. Não há propósito no Céu (Abstração), então não é um componente do Céu. Mas vamos dar prioridade ao que é prioritário.

“Ele não passa de um efeito que tu causaste, e não queres ser a causa desse efeito. Nos sonhos de assassinato e de ataque, és a vítima em um corpo abatido, à morte. Mas nos sonhos de perdão, não se pede a ninguém que seja vítima e sofredor. Estes são os sonhos felizes pelos quais o milagre substitui o teu. Ele não pede que faças outro; só que vejas que fizeste aquele que queres substituir por esse.”

Essa sentença, ‘nos sonhos de perdão, não se pede a ninguém que seja vítima e sofredor’ me lembra da linha ‘aqueles que se vêem curados não fazem exigências’ e essa é uma idéia fenomenal porque neste mundo a mente não consegue nem imaginar como isso seria, porque todos os relacionamentos do mundo envolvem reciprocidade. Não fazer exigências. Você poderia dizer que o Espírito Santo lembra, o Espírito Santo sugere... mas jamais comanda ou exige. Você vê que liberação maravilhosa isso seria e como você teria que desistir de todos os conceitos do mundo como você pensa que conhece. Todos os relacionamentos de negócios, todos os relacionamentos de acordo com os papéis que são pré-determinados têm que ser abandonados porque enquanto você tem papéis, funções, deveres e obrigações pré-determinados você ainda está num sistema da reciprocidade do ego. E Jesus nos dá o modelo disso. Já que o perdão era sua única função, ele não proclamou ser o rei dos Judeus ou manteve qualquer tipo de posição mundana. Ele não exigiu nada. Ele deu sugestões e disse coisas como, ‘Siga me’ que é uma sugestão bem forte. Mas, não com um senso de comando ou exigência. Ele não exigiu nada dos Fariseus ou Escribas ou Sacerdotes - somente sugestões.

Participante 1: Não havia nenhum senso de: faça isso ou aquilo.

Orador: Certo. Nenhuma ameaça envolvida.

Participante 2: E nenhuma expectativa implícita. Eu estava pensando nos termos que poderiam ser usados... sugerir ou convidar, mas tão logo eu coloco uma expectativa nisso, então aí está a exigência porque eu posso sugerir algo a você, mas se eu tenho uma expectativa de que você vai seguir a minha sugestão, é aí que está a exigência. Não da maneira que eu formulo isso. Não que eu tenha que dizer, ‘Você deve fazer isso’.

Orador: Se há uma expectativa implícita na minha própria mente, então isso ainda é uma exigência. E isso é uma tentação com o caminho espiritual também... quanto mais esclarecido alguém vem a ser nesse negócio, é evidente que enquanto há uma tentação do ego de ainda ter algum tipo de controle, até mesmo sutilmente sobre o que se passa... isso é o outro extremo na armadilha do guru que de uma maneira sutil o ego ainda quer se elevar em termos de ainda ter uma identidade pessoal. Ainda querendo dar algumas ordens, ainda querendo ter algum elemento de controle sobre os alunos ou os estudantes. Pode ser uma coisa muito sutil. E mais uma vez toda a armadilha do guru é apenas uma outra forma de distração do ego. Não pode existir à parte da própria mente, mas é necessário um aprendizado cuidadoso e uma observação cuidadosa para se ficar além dessa coisa porque é uma tentação. O ego ainda quer manter algum tipo de controle.

“Esse mundo não tem causa, assim como qualquer sonho que qualquer pessoa tenha sonhado dentro dele. Não existem planos possíveis e não se pode achar nenhum projeto que seja compreensível.”
Há algumas implicações nas duas primeiras sentenças. Todas as buscas e planos que parecem necessários neste mundo estão declaradas nessa segunda sentença, e é dito para nós que eles não fazem nenhum sentido.


“Que outra coisa se poderia esperar de algo que carece de causa? Ao mesmo tempo, se não tem causa, não tem propósito. Podes causar um sonho, mas nunca darás a ele efeitos reais. Isso mudaria a causa do sonho, e é isso o que não podes fazer. O sonhador de um sonho não está desperto, mas não sabe que dorme. Ele vê ilusões de si mesmo como estando doente ou bem, deprimido ou feliz, mas sem uma causa estável com efeitos garantidos.”

Então isso só está voltando para aquilo que começamos nesta seção ‘sem uma causa não pode haver nenhum efeito’ e ‘uma causa é feita uma causa pelos seus efeitos’. Está dizendo que o mundo não tem causa então você não pode tentar dar realidade aos efeitos. Então você pode fazer ilusões, mas não pode fazer com que os efeitos sejam reais. Todas as disciplinas e ciências e tentativas para entender o mundo e como ele funciona, como o cosmos funciona. É nisso que são baseados, é isso o que é a ciência. Todos eles presumem um mundo que tem partes reais dentro dele e que tem interações reais, relacionamentos reais de causa e efeito entre essas partes. É aí que a verdadeira experiência religiosa (Paz Interior) transcende a ciência, todas as disciplinas, todas as teorias, todos as linhas de pensamento. Literalmente transcendo tudo isso. Para mim isso foi a coisa que quando eu estava passando por todos aqueles meus anos de procura. O que eu tinha que ser? Isso era algo em que eu ficava refletindo até mesmo no colegial quando eu olhei para os diferentes menus do mundo, as profissões e vocações. Dos testes de aptidões e planos de carreiras eram capazes de gerar um grande número, e não havia só alguns poucos no menu. Eu corria os olhos nos papéis do computador e não havia nada lá, e eu me senti muito deslocado. Eu me senti muito constrangido. Eu me senti muito esquisito, como todo mundo tem alguma coisa que salta do papel e eu não. Mesmo quando eu fui estudar Engenharia, meu coração não estava naquilo. No entanto parecia que não havia nada atrativo a fazer, eu acreditava que você tem que fazer alguma coisa para ganhar a vida.

Participante 1: Eu me lembro dessa sensação. Depois que eu reconheci que ensinar não era aquilo e eu estava trabalhando numa área do trabalho social e eu me lembro de ter feito este teste de aptidão e ele indicou inúmeras coisas diferentes. Eu olhei para elas e pensei... Credo! Talvez eu possa fazer algumas delas, mas eu não quero.

Orador: Eu também senti que eu poderia fazer qualquer infinidade das coisas que eu vi no papel impresso, mas meu coração não estava ali e depois de dez anos na faculdade era a mesma coisa. Eu tinha buscado e me aprofundado muito na educação. Nessa época eu já tinha realmente investigado tudo bem de perto, olhando para muitas disciplinas e suas linhas de pensamento. Eu não tinha só tentado hipoteticamente, refletindo sobre elas, mas tinha na verdade metido o nariz em tudo e experimentado tudo. Mas, nessa época havia uma sensação que havia alguma coisa interna me Chamando e me Guiando, mas eu não sabia o que era ou para onde isso ia. Era como uma missão. Até ali eu já tinha lido algumas das coisas de Maslow sobre o estudo das pessoas de auto-realização, e ele disse que elas tinham um forte senso de um missão ou propósito ou significado para vida... e eu me identificava com aquilo, mas não sabia como era.

Participante 2: Então como isso se relaciona?

Orador: Bem, quando eu li uma linha como ‘o mundo não tem causa assim como qualquer sonho que qualquer pessoa tenha sonhado dentro dele. Não se pode achar nenhum projeto que seja compreensível’ - que a dificuldade de tentar trabalhar com Um Curso Em Milagres e tentar encaixar-se nele. Por exemplo levar a metafísica para a América corporativa ou tentar moldar o Princípio do Curso nos negócios. Eu esbarrei com muito disso na Associação de Psicologia Humanista onde eles se esforçavam para levar muitas idéias como essa para dentro das estruturas ... e muitas das conferências tinham esses objetivos e direções. O que nós estamos vendo é que conforme nós chegamos na profundidade do Curso o tema básico é que não há reconciliação entre o Espírito e o tempo / espaço / matéria contínua que inclui a vida diária como ela é vivenciada, todos os tipos de conceitos incluindo carreiras e disciplinas e instituições, e assim por diante. ‘Não existem planos possíveis e não se pode achar nenhum projeto que seja compreensível.’

Participante 1: Você não pode trazer a verdade para a ilusão.

Continuar na Parte 4


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