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Abrindo-se para a Experiência do Relacionamento Real

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Parte 2

Participante: Então, quando você fala de usar o passado para resolver o conflito, você está falando da crença na separação. É isso que você está referindo quando você diz “usar o passado para resolver a culpa e o conflito?”

Orador: Sim. A crença na separação é representada na forma de tal maneira que a ilustração externa da crença parece ser o mundo perceptual no qual pessoas, lugares, eventos e coisas ainda estão aqui e ainda está acontecendo, embora na realidade já acabaram. São todos o passado. O que parece ainda estar ocorrendo reflete a crença na separação na mente, a crença que está faltando alguma coisa para alguém, a crença que alguém ainda não é íntegro e completo.

Em outras palavras, o cosmos foi feito para ser como uma tela de cinema ou um dispositivo de distração gigante, um sonho onde os pseudo-problemas e a pseudo-salvação poderiam dar certo. O mundo é um sonho de imagens, um vasto show de mágica que o ego mantém como um substituto à Realidade Eterna. O ego está tentando convencer a mente adormecida que a felicidade pode ser encontrada na tela do cinema ou no sonho. Cada tentativa para ter um “relacionamento”, definido em termos da forma, para “dar certo”, é uma tentativa de encontrar a felicidade e o amor onde não estão. Este é um excelente exemplo do “procurar pelo amor em todos os lugares errados.” Porém, esta busca cega se aplica em toda a forma, pois o Amor é Espírito e não é limitado à forma de qualquer tipo. E a mente equivocada que parece ter esquecido sua Identidade como Espírito parece estar sonhando com um mundo da irrealidade, embora ela não saiba que está sonhando.

Relacionamentos que são definidos em termos de forma são sempre definidos em termos de pessoas. Acreditando no seu “ser” como uma pessoa, a mente equivocada tem dissociado a Luz da Verdade e esquecido “Eu sou Espírito, eu sou Eterno, eu sou imutável.” Focada e identificada com um fragmento (pessoa), como um oposto ou um contraste de outros fragmentos (pessoas), a mente equivocada percebe todos como uma pessoa separada que tem uma mente separada e características separadas. Existe um aparente puxa e empurra em curso, uma repulsão e atração nesses assim chamados “relacionamentos na forma,” e existe um atrito subjacente que parece existir entre esses assim chamados fragmentos (pessoas). Cada um parece ser um fragmento com a “sua própria vida”, e cada um parece ser muito exclusivo e muito diferente dos outros.

O mundo ensina: “até mesmo nos melhores relacionamentos, você tem que levar o bom com o ruim, porque afinal de contas ninguém é perfeito.” Neste mundo a perfeição é ilusiva, pois nunca existiu uma pessoa perfeita ou uma família perfeita ou um casamento perfeito ou um relacionamento perfeito. Porém, quando nós nos aprofundamos muito mais nessa falta da conexão nós podemos começar a ver que o modo que o relacionamento é definido é o problema. É um conceito errôneo do relacionamento que bloqueia da consciência o relacionamento real. O conceito do mundo sobre relacionamento inclui o conceito de pessoas com mentes privadas, pensamentos, corpos, necessidades, desejos e interesses pessoais. Portanto, relacionamentos interpessoais são vistos através das lentes da falta (ex: preencher necessidades mútuas, psicologia e gratificação sensorial, reciprocidade, etc.).

Participante: Sim, minha felicidade está em satisfazer as suas necessidades e ter minhas necessidades satisfeitas por você é uma crença comum. Esta é uma esperança comum nos relacionamentos.

Orador: A mente equivocada acredita que é uma pessoa, que ela tem necessidades reais, que está faltando coisas de certas maneiras e que necessita de outras pessoas para ajudar satisfazer essas necessidades e preencher essas faltas. Quando se olha para o mundo numa larga escala, por assim dizer, parece haver uma interdependência evidente no modo que o mundo é armado (ex: cadeia alimentar, sistema ecológico, demanda e procura, assim como dependências psicológicas). A idéia da interdependência é que há uma cadeia de dependência de uma pessoa ou coisa sobre uma outra pessoa ou outras pessoas e coisa. O sistema de crença do mundo conta com esta dependência para sua existência. O sistema de crença no qual tudo isso é baseado é o que tem que ser questionado se nós queremos chegar no fundo do falso conceito do relacionamento e descobrir o significado do relacionamento real.

Há muita conversa sobre intimidade e conexão e harmonia. Em letras de canções de amor se fala do “para sempre” e “perpétuo”, e certamente o ideal do relacionamento contínuo, duradouro, perpétuo, harmonioso, parece bom. Porém, esses termos não descrevem o que é percebido como relacionamento interpessoal neste mundo. Pois até nos “melhores relacionamentos”, quando eles parecem ser mantidos, isto é, ainda é percebido que a morte do corpo ou a separação está se movendo para a quebra do relacionamento ideal.

Participante: E você está dizendo que esta percebida “quebra do ideal” é tudo porque o relacionamento é definido em termos do corpo?

Orador: Sim. Corpos parecem se unir e separar, mas a Verdadeira União é Eterna. Perda é crença na separação, que é simbolizada por uma identidade limitada ao corpo. Todas as definições de relacionamento que envolve o corpo são baseadas na perda, porém no relacionamento real do Espírito, não existe tal conceito de perda. Até os conceitos de relacionamento aparentemente mais “avançados”, (ex: cara metade ou almas gêmeas) são baseados numa suposição de que o relacionamento envolve corpos, que existe uma pessoa no mundo para todos que é o “verdadeiro amor”. A crença inconsciente é que existe algum tipo de integridade que é acessível quando duas pessoas se juntam que de outra maneira não está disponível. Porém, a Verdadeira Integridade é a sempre acessível Mente Divina Que transcende inteiramente a crença na separação e no corpo. Integridade é a experiência do Momento sendo Vivido.

A Alma é Espírito e não é limitada ou contida de maneira nenhuma. A Alma não é um corpo, nem existem almas separadas, pois a Alma é Uma. Não há “almas” separadas procurando “retornar” à Única, só existe a Única. O conceito que o Destino é cumprido quando duas “almas” se encontram apóia-se no conceito da separação e o “relacionamento” depende do “encontro” das almas, depende de achar aquela “alma gêmea perdida” ou daquela “cara metade”. Existe ainda uma dependência no tempo-espaço e forma nesta construção artificial do relacionamento. A mente é infinitamente Uma na Realidade, mas no estado equivocado da mente adormecida parece haver pessoas separadas, corpos separados e cada pessoa ou corpo separado parece ter uma mente separada associada a ela. Então as propriedades do corpo têm sido designadas à Mente / Alma, e a Mente / Alma é então vista como fragmentada. Neste estado adormecido da mente, o relacionamento é portanto definido em termos de pessoas. Parece que temos uma pessoa com um corpo, mente e alma e uma outra pessoa com um corpo, mente e alma, e elas parecem ter algumas características em comum, alguns interesses e metas compartilhadas, alguns mesmos gostos e aversões.

Participante: ... E quanto mais, melhor. (Risadas)

Orador: Sim, de acordo com o mundo: quanto mais, melhor. Intuitivamente a concordância pode ser um símbolo da Unicidade, porém “quanto mais, melhor” implica que haverá diferenças, que todo mundo é um único indivíduo separado, e que não há duas pessoas que são completamente iguais. Na perspectiva do mundo pode parecer haver concordância em termos de valores, prioridades e até mesmo em termos de compatibilidade física e sexual.

Participante: Ou até mesmo estilo de vida.

Orador: Sim. Classe social, status e muitas coisas diferentes parecem ter concordância em termos do mundo. Na visão do mundo são todos esses ingredientes que entram para fazer um “bom relacionamento.” Porém, demos uma volta completa no ponto com o qual você começou, que você não conhece o relacionamento real. E a razão pela qual você não conhece o relacionamento real é porque o que o mundo chama de “relacionamento” não é real de modo algum. É uma farsa sendo falsa. Parece manter as promessas de felicidade e harmonia. O ideal é: viver felizes para sempre, mas esse ideal é uma ilusão na forma, e à medida que se passa por experiências deste mundo o ideal parece ser estilhaçado várias e várias vezes. A forma ilusória nunca dura, pois o que foi feito temporal nunca pode ser Eterno. Não há nenhum substituto para o Eterno Amor de Deus.

A mente equivocada parece olhar para a forma, para o passado, para preencher o vazio que ela sente. A mente equivocada tem negado a perfeição deste exato momento, e tenta mudar a forma até que ela encontre o ideal, a forma perfeita da felicidade. Isto é procurar pelo Amor onde Ele nunca pode ser encontrado. Isto é buscar a Eternidade no tempo-espaço. Porém, o tempo nunca pode tomar o lugar da Eternidade, nem o finito pode substituir o Infinito. E conceitos do ser nunca podem tomar o lugar do Ser que Deus criou Uno para sempre como Espírito.

Participante: Eu sinto que eu quero estar mais em contato com esses auto-conceitos, o que quer que sejam. Eu não tenho certeza daquilo que eu acredito e no que estou me agarrando e tentando fazer real.

Orador: É necessário disponibilidade e atenção para examinar as crenças bem de perto. Você começa notando os pensamentos, os pensamentos que parecem ocupar a sua consciência todos os dias, e você obterá alguma idéia de como são relacionados com o corpo. À medida que você dá atenção ao Propósito do perdão, você começa perguntar em toda situação: “Para que serve isso? O que isso me traz?” Esta busca está me trazendo segurança e conexão e paz e harmonia? Se eu sei onde eu vou ficar, com quem eu vou estar e o que vou estar fazendo no futuro, o que isso realmente me traz? Alguma vez houve uma paz e segurança duradoura ao “conhecer” o passado ou tentar “decifrar” o futuro? Que auto-conceito algum dia te trouxe uma experiência de conexão duradoura?

Participante: Você está insinuando que a qualquer momento eu posso notar que eu penso que existe uma forma que irá me fornecer paz, felicidade e segurança, que este notar está expondo o meu auto-conceito?

Orador: Sim.

Participante: Isso não está muito claro para mim. Você pode expandir esta idéia? Não estou vendo a conexão bem claramente.

Orador: Bem, em última instância, o cosmos inteiro constitui o auto-conceito. Em seu estado equivocado ou adormecido, a mente parece selecionar ou focar coisas em particular com as quais ela quer se identificar, que ela pensa que irá trazer segurança e felicidade. Ela esqueceu da Unicidade sem desejo e está sonhando com um mundo de desejo falso. No sonhar do mundo, esta assim chamada seleção pode parecer ter enormes variações. A mente equivocada parece tomar formas do mundo (ex: uma identidade com o corpo, parceria, dinheiro, fama, romance, só para falar de algumas).

Participante: Então o amor, como eu tenho vivenciado neste mundo, ainda é parte deste equívoco, dessa condição de dormir e sonhar?

Orador: Se você quer dizer “amor” romance e atração sexual e gratificação mútua, sim, são todas experiências do auto-conceito. Qualquer coisa que parece existir na forma, nela e por ela mesma à parte do resto do cosmos, é auto-conceito. Mente Divina é completamente Abstrata. Um ídolo é uma ilusão de uma forma específica, e Deus não conhece a forma. Acredita-se que ídolos oferecem uma vontade de satisfação e felicidade e esta vontade substitui o Amor Abstrato de Deus, e o “jogo” da mente equivocada é a busca dessas coisas. Busque e não ache é o jogo do mundo. Então se abrir para o Estado da mente que transcende o auto-conceito é verdadeiramente um milagre. Você começa observando a sua mente para que você possa começar a notar o apego às coisas do mundo, então você mergulha por baixo desses pensamentos até a Luz Divina interior. Meditação é um esvaziar dos conteúdos da consciência. Existe um Silêncio interior no Qual o mundo desaparece completamente.

Participante: Por esses pensamentos eu posso dizer que quando eu penso junto com essa linha de pensamento, que eu ainda devo acreditar que há esta mistura perfeita de Mente e corpo (Risadas). Talvez eu acho que 95% é Mente e 5% é corpo, mas enquanto eu acho que existe até mesmo uma minúscula porcentagem de qualquer coisa que não seja Mente Divina é uma piada, não é?

Orador: Sim. Não há Vida, Verdade, Substância ou Inteligência na matéria. Não existe Mente na matéria. Mente Divina é Abstrata, porém, os conceitos do tempo, espaço, corpo, etc. são concretos ou específicos. O Perdão é desaprender a crença de que existe Mente na matéria. É ver que a matéria é sem causa ou sem uma fonte. A mente adormecida, sob a Orientação do Espírito está desaprendendo a crença de que uma Idéia de Deus pode deixar sua Fonte Eterna e ter existência no tempo-espaço separada da sua Fonte. Ela está desaprendendo a crença de que o Espírito pode deixar o Espírito e entrar no tempo / espaço / matéria. A mente adormecida está assim desaprendendo tudo que ela “aprendeu” sobre “existência material”. Assim é o perdão.

O mundo é uma tentativa de combinar o corpo e a Mente. Porém, a verdade é que o corpo e a Mente não são reconciliáveis. Mente Divina é completamente, integralmente, totalmente Mente. Não pode haver transigência na Verdade Absoluta.

A verdade é verdadeira e não tem oposto. A Verdade é “O Que É”, Absoluta e Eterna e Imutavelmente Perfeita. Então o que é prático no reconhecimento da Verdade? Perdoar é prático, e perdoar é expor o falso como falso observando a mente e liberando pensamentos e crenças que não têm base na Realidade. É importante não se desesperar quando você começar a desencobrir e expor ilusões, quando você começar a vigiar atentamente os pensamentos da consciência. É importante não ficar desanimado à medida que pensamentos errôneos emergem, mas ser muito grato que tais pensamentos não são pensamentos reais. Ver a irrealidade deles é a verdadeira liberação. Assim é a cura.

A única razão para estar tão atento e alerta na vigilância da mente e querer liberar os pensamentos é porque eles encobrem a Luz Divina na consciência. Abrir-se para a Luz Interior é abrir-se para um Propósito Mais Elevado.

Parte 3

 

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