‘Professor dos Professores’
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O Propósito é a Única Escolha

Quando olhamos para as escolhas no mundo, nossa sensação de estar arrasado às vezes pode ser expressado em uma variedade de formas. Este diálogo (entre o Orador e vários amigos) começa com uma expressão de inquietação, que é uma forma sutil de transtorno ou simplesmente não estar em paz. Isso proporciona um ponto de partida para traçar o transtorno específico até a sua fonte, a mente equivocada, onde a percepção é corrigida pela escolha de um novo propósito.


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Parte 3


Questionador 1: Eu acredito que eu tenho um lar neste mundo. (Risadas)

Orador: Você acredita que tem um lar neste mundo e você pensa que ele está nos Estados Unidos. Quem é o “eu” que tem que ir para casa? Quem é esse? É uma pessoa? Considere só por um momento que você acredita que a sua mente está cheia de pensamentos reais. E se você tivesse um palpite de que esta crença não é real? Então você entenderia a necessidade de dar uma olhada em todos os conceitos e pensamentos, tão básicos quanto esse que estamos examinando, e ver que as suposições ou crenças sobre a identidade e o mundo em que esses pensamentos se baseiam não são verdadeiros.

“Eu sou do jeito que estou me percebendo?” Essa é a pergunta a fazer. Se alguém se vê como uma pessoa querendo ir para casa num sentido geográfico, ou lar para uma família num sentido emocional, isso é Espírito? Esse é o Espírito eterno? Ou é uma concepção mental, uma imagem? É um conceito? Quão útil, quão poderoso é olhar para os pensamentos exatamente como esses para examiná-los. Se nós realmente entrarmos numa discussão sobre a personalidade, então temos que dar uma olhada nos pensamentos e crenças que englobam a pessoa. O que você acredita que é uma pessoa? O que está envolvido no fazer de uma pessoa?

Questionador 2: A cor dos seus olhos e cabelos, se eles são pretos ou brancos, nacionalidade, o que vestem, que tipo de carro dirigem, suas vocações, pais, herança familiar.

Questionador 1: “Quando uma pessoa se torna uma pessoa?” é uma grande questão no debate sobre o aborto.

Questionador 2: Aspirações e história pessoal fazem uma pessoa.

Orador: Sim, cada pessoa parece ter uma história individual. E se eu mencionasse as idéias da mente, alma, emoções? São partes da sua definição de personalidade?

Questionador 1: Religião e ponto de vista espiritual são ambos partes da personalidade.

Orador: Então você vê que há muito sobre este conceito de personalidade e, portanto, há muito que precisamos questionar. Quando levamos isso para um campo religioso ou metafísico, algumas pessoas diriam que todos têm uma alma. E com relação ao conceito de reencarnação, por exemplo, às vezes é dito que a alma encarna e reencarna -- ela entra e sai da forma repetidamente. Este é um conceito interessante que eu tenho questionado. A alma é de Deus. Já que Deus criou a alma, ela é eterna e imutável e ilimitada como Deus é. Bem, se fosse o caso de que a alma reencarna na forma, então alguma coisa que é eterna e imutável e ilimitada seria temporariamente contida na forma de um corpo. Porém isso não faz sentido. Como poderia o infinito ser contido no finito?

Similarmente, toda a idéia de personalidade tem que ser questionada muito cuidadosamente. Eu comecei a notar, observar cuidadosamente que toda vez que alguém parece defensivo ou transtornado, e o transtorno é traçado para dentro da mente, sempre acaba no conceito da personalidade. Mesmo se alguém está irritado com a poluição que está sendo lançada no ar, ainda volta para a crença que alguém está neste ambiente e que alguma coisa, tal como a poluição, é um afronta para si próprio, a pessoa. Eu tenho notado que cada transtorno pode ser traçado até este conceito da personalidade, até uma divisão básica do sujeito-objeto na qual a pessoa, o “eu”, é o sujeito, e o resto do cosmos é o objeto. O modo como este mundo / cosmos parece ser construído é como se segue: existe o sujeito ou a pessoa, e então existe o objeto que está sempre rodeando o “outro”, seja ele o tempo, espaço, objeto, pessoa(s), sociedade, mundo ou cosmos. A personalidade ou a identidade pessoal é baseada nesta dualidade, esta divisão básica.

Questionador 2: É aí que eu fico enganchado porque à medida que você fala, eu consigo ver as minhas crenças e o meu apego à personalidade, então eu penso que há alguma coisa a fazer. Eu gostaria de falar sobre isso porque senão eu não sinto que posso seguir adiante.

Orador: Toda vez que você sente essa frustração de pensar que há algo a fazer, você não se sente bem, sente? Há um ímpeto para mudança, mas a mudança parece ser difícil demais ou opressora para se realizar.

Questionador 2: Então eu entro nessa da culpa e me sinto derrotado e penso, “Eu deveria me sentir feliz,” mas eu não me sinto feliz.

Orador: Vamos dar uma olhada nessa idéia de que existe alguma coisa a fazer. Agora, fazer é uma ação, uma ação do que?

Questionador 1: Teria que envolver um corpo. Sempre envolve, não envolve?

Questionador 2: Eu não sou pego na ação como sou na crença. Eu acho que estou errado porque eu tenho esta crença e tenho que mudar a crença. Por exemplo, eu gosto da natureza. Ter que mudar a crença que eu tenho de que a natureza é real é onde eu me sinto empacado. Eu quero seguir em frente e ver a figura mais completa e me sentir unido ao Espírito e porque eu gosto da natureza, existe essa dicotomia dentro de mim. Eu gosto da natureza. (Risadas) Eu...

Orador: “Eu”... estou ouvindo isso!? (Mais risadas) Vamos olhar para o “eu”. Vamos olhar para o sentimento coercivo de até ter que fazer uma mudança na mente ou ter que desistir de uma crença. Pensar que eu tenho que desistir de uma crença é uma crença! Pode parecer que há uma coerção. Mas existe realmente uma coerção envolvida? Eu li uma declaração de um autor uma vez que disse “nossos egos são muito investidos em crenças.” Egos não são investidos em crenças. Egos não têm crenças. O ego é a crença na separação. E todas as crenças baseadas na separação são do ego. A mente equivocada pensa que essas crenças são ela mesma, tendo se identificado com elas. O que alguém equivocadamente pensa que é e tem que desistir, não existe. Em outras palavras, o Verdadeiro Ser não tem que desistir do ego. O Verdadeiro Ser não tem nenhum ego. Aí só parece haver coerção por causa de uma crença em que realmente há “alguma coisa” que se é agora e que tem que se livrar disso. Mas, e se esse alguém não é realmente essa “alguma coisa!” Neste reconhecimento, os sentimentos de coerção ou de ter que se fazer algo se dissolvem!

Isso retorna novamente para o propósito. É necessário ficar muito esclarecido na mente sobre esses dois propósitos. Se alguém pensa que está enraizado neste mundo ilusório da forma e acredita que a sua vida, sua realidade é uma pessoa “real” vivendo neste mundo da natureza e está convencido de que esta é a sua realidade, então o Espírito será percebido como muito ameaçador. Este alguém perceberá o Espírito como se ele estivesse pedindo para desistir de alguma coisa que é real, que é boa, que é bela, e este alguém não vai querer ouvir o Espírito.

Questionador 2: Esta manhã quando eu estava no telefone com a minha terapeuta e contando para ela sobre a minha jornada interior, o que ela disse foi: “Só há uma precaução que eu tenho para você. Eu espero que você não esteja com pessoas que vão te ajudar a te perder, perder quem você é.” Quem é este ser que eu estou perdendo? Quando ela disse isso, eu pensei sobre uma recente visão na qual eu morri. Eu contei para ela sobre a visão; eu disse para ela que aquele ser está sendo perdido. Quem é aquele ser? Aquele ser deve ser alguma outra coisa que não é o meu Verdadeiro Ser.

Questionador 1: Sim, como poderia o Verdadeiro Ser ser perdido?

Questionador 2: Nós não podemos olhar para isso como esta luta, ou nós ficamos presos em “alguma outra coisa”, não ficamos?

Orador: Eu ouço as pessoas dizerem, “Oh, o ego tem que morrer!” Existe alguma coisa “fora” sobre esta idéia, não? Alguns irão perguntar, “Por que o ego tem que morrer?” Eu digo a eles: “Ah, você está presumindo que ele vive!” As idéias para lutar contra o ego, matar o ego, assassinar o ego ou simplesmente ter o ego morto é errar o alvo. Apenas olhe calmamente para o ego e veja a sua falsidade... A luz dispersa a escuridão pela sua simples Presença -- essa é toda a mensagem. E assim para mim, a frase, “Morrer para o ser” é apenas uma metáfora para a mente equivocada que acredita que a vida é deste mundo, dos corpos. Realmente não existe vida no mundo das imagens. Imagens negam a Vida. A Vida é eterna e sem forma e imutável.

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